segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ninguém conhece mulher-mistério de que fala Duarte Lima

«Polícia já interpelou mais de um milhar de "Giseles", mas nenhuma é a mulher a quem o advogado levou Rosalina




A Polícia procura desesperadamente a mulher com quem Duarte Lima diz ter deixado Rosalina Ribeiro, na noite em que a portuguesa foi assassinada. Ninguém das relações da vítima a conhece e nenhuma das mais de mil mulheres já abordadas sabe quem é Rosalina.

Esta mulher poderá ser uma peça-chave para explicar as razões que motivaram a execução com tiros no peito e na cabeça de Rosalina Cardoso Ribeiro, de 74 anos, uma das herdeiras do magnata da indústria e do imobiliário Lúcio Thomé Feteira, falecido no ano 2000.

Para as autoridades brasileiras, o vazio que existe entre o momento em que Rosalina saiu do prédio sua propriedade, na praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, às 19.59 horas, e o seu brutal assassinato, pouco mais de duas horas depois, a 90 quilómetros de distância, é apenas preenchido pelas imagens de videovigilância de vários locais da zona e os relatos efectuados por Duarte Lima.

Ao que o JN apurou, as autoridades brasileiras continuam a investigar. Mas, até agora, dos elementos recolhidos, nem as imagens de videovigilância disponíveis nos prédios por onde Rosalina passou, ou noutros pontos vigiados, permitem documentar o encontro entre a portuguesa e o advogado. Sabe-se, no entanto, que Duarte Lima terá estacionado a sua viatura nas imediações antes das 20 horas, o momento marcada para o encontro.

Várias pessoas das relações de Rosalina Ribeiro atestam que a herdeira e Duarte Lima tinham um jantar marcado para esse dia, no restaurante "Alcaparra" - um estabelecimento de luxo frequentado por Rosalina -, situado nas proximidades, e essa terá sido a razão pela qual a portuguesa saiu do prédio a pé e sozinha. Mas o jantar não aconteceu.

Duarte Lima disse depois às autoridades que seguiu com Rosalina para uma cafetaria que não identificou. Só que de novo as autoridades não conseguiram confirmar a presença de ambos nos estabelecimentos do género que existem na zona. Duarte Lima também não revelou as razões do encontro com a sua cliente, tendo invocado sigilo profissional.

Amigas desconhecem

Depois, disse ainda o ex-deputado, Rosalina pediu-lhe que a levasse até Maricá, a cerca de 90 quilómetros de distância, para um encontro com uma mulher, uma suposta candidata à compra da sua parte da herança.

Duarte Lima disse ter conduzido o seu carro alugado até ao local indicado, de difícil acesso e de noite, tendo efectuado uma descrição detalhada da mulher loira, chamada Gisele, e da zona. O advogado contou que ali terá permanecido apenas durante alguns minutos e, por volta das 22 horas, regressou ao hotel na cidade do Rio de Janeiro.

Só que, de Gisele, até ao momento, nem sinal. Nenhuma das amigas mais chegadas de Rosalina tinha ouvido falar dela e, ao contrário do que era habitual na metódica e organizada antiga secretária, em nenhuma das suas agendas aparecia este encontro ou qualquer referência à mulher-mistério.

Facilmente se entende a importância desta mulher no caso, pois a portuguesa terá sido assassinada, segundo estimativas médico-legais, pouco depois das 22 horas.

Por isso, as autoridades brasileiras estão a investir bastante na sua localização, contactando mais de um milhar de mulheres chamadas "Gisele", sem que tenham obtido qualquer resultado.»

in JN online, 16-8-2010

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